Vestígios históricos no Castelejo em Vila Cortês da Serra

Tipo de estação: Povoado fortificado de altura

Período atribuível: Bronze / Ferro, com possível reocupação/ocupação Medieval

Coordenadas geográficas UTM: 062261 long.; 44912 lat.; 450m alt.; fl. 202, Carta Militar de Portugal, escala 1:25000

Povoado de altura de forma ovalado irregular, dispondo-se de forma seccionada, por dois cabeços. Uma das secções que denominaríamos de Secção A, estende-se num esporão que apresenta uma forma oval, delimitado por uma muralha nas vertentes O e S, já bastante destruída apresentando um extenso derrube, reaproveitado, na vertente O, para constituir um muro contemporâneo, de origem etnográfica (pastores). Suscitam-nos dúvidas a base deste muro que ou é uma concentração mais intensa do derrube ou será mesmo uma segunda linha de muralha.

De referir que esta zona é a mais desprotegida (declive menos acentuado e mais baixo que nas restantes vertentes desta secção). As vertentes E e N, por sua vez, apresentam uma imponente estrutura defensiva natural, daí a inexistência de muralha nestes pontos. A muralha evidencia um aparelho simples, sendo que num dos pontos onde se encontrava melhor conservada (vertente O, junto a uma pedra fincada, que parece marcar a entrada do povoado), a sua largura é de sensivelmente 2 metros, tendo cerca de 80 cm de altura, contabilizados a partir do solo, já no interior do povoado. Nesta secção verificámos a existência de afloramentos graníticos de grandes dimensões, bem como a existência de várias plataformas, onde se desenvolveria a ocupação deste sitio. A recolha material deteve-se sobretudo junto à já mencionada pedra finada da vertente O, junto ao derrube da muralha: trata-se de cerâmica manual, salvo uma excepção, sem forma ou decoração, de cozedura tipo redutora, com pastas acastanhadas, cinzentas e negras (alguns fragmentos com fuligem), com grande variedade e número de elementos não plásticos (mica, quartzo, negativo de palha,...), de calibres mal classificados, existindo alguns fragmentos que parecem estar com superfícies polidas, estando na sua maioria bastante erudidos. A excepção é constituída por um fragmento, cuja forma e funcionalidade é de todo desconhecida para nós, bem como para a maioria das pessoas interpeladas (a hipótese com maior potencialidade, na nossa opinião, é a de queimador, com função ritual ou outra, sendo que o fragmento apresenta vestígios de intenso contacto com o fogo). A decoração que apresenta é composta por um motivo reticulado inciso, apresentado em ambas as faces do fragmento, o que pode ser justificado pela sua funcionalidade. De referir ainda a existência, num dos penedos desta secção, de um motivo cruciforme gravado. No derrube de muralha foi também encontrado um dormente de mó manual.

A secção B é identificada como um grande afloramento granítico, que surge a SO da secção A, que na sua face O apresenta, numa reentrância, onde aparece um derrube de muro, havendo sido sugerido pelo docente, aquando da visita ao local, a hipótese de funcionar como um posto de vigia, hipótese que se apresenta perante nós como válida.


Castelejo - Face Norte

A secção C é por nós atribuída a uma ocupação de um cabeço, delimitada por uma muralha, melhor conservada que a da secção A (a sua altura é de 1,20m), que se estende nas vertentes S e E deste sitio apresentando uma forma rectangular. Os lados N e E são defendidos naturalmente, na encosta N, por um declive extremamente acentuado e no lado E por grandes penedos, que impedem por aí o acesso ao local. Os materiais aqui recolhidos são todos já ao toro rápido, o que pode evidenciar uma ocupação medieval deste povoado (possível relação que pode justificar o motivo cruciforme encontrado na secção A). Os fragmentos aqui recolhidos são informes (há excepção de um arranque de asa), com pastas claras, de cozedura oxidante, com calibres de pequena e média dimensão, onde entre os elementos não plásticos se contam a mica e a palha. Verificou-se ainda a existência de um dormente de uma mó manual, num amontoado de pedras. Falta por fim referir a existência no canto formado pela muralha da vertente N com a de O, de uma sondagem de 2 por 2 m, com 80 cm de profundidade, aí pode-se ver que o aparelho da muralha é simples estendendo-se da sondagem até ao limite que identificámos na muralha por cerca de 2,90 m. A muralha parece contudo somente apresentar 2 m de largura, sendo os restantes 90 cm causados pelo seu possível derrube.

Abrigo com sinais de fogo


Abrigo com escória do Arrabalde

 

Num ponto sobrelevado em relação ao território envolvente, encontram-se dois abrigos naturais, que se confrontam. Um deles demonstra sinais evidentes de fogo intenso no seu interior. O outro além de sinais de fogo menos forte, evidencia restos abundante de escória e carvão. A escória é de pequena e média dimensão, tonalidade cinzenta escura/preta, extremamente leve. A sua localização é bastante próxima da mina de Urânio, bem como do castro e de cursos de água, com zonas de exploração agrícola e pastorícia.

Afloramento rochoso, com 8 motivos cruciformes

  
Pedra das oito cruzes de Pedro Pereiro

Afloramento rochoso, com 8 motivos cruciformes gravados, em vários sentidos e apresentando diferentes graus de profundidade. Encontra-se no seguimento da via medieval/moderna, que se prolonga sobre um curso de água (espécie de dique/ponte de cronologia incerta, com fortes possibilidades de ser moderno). Marco territorial para divisão de propriedades e/ou limite concelhios.

Lagareta


Lagareta

Penedo inserido numa propriedade com vestígios de uma ocupação recente (estruturas etnográficas com cacos modernos), naturalmente inclinado, com 3 sulcos escavados formando uma espécie de rectângulo (parte cimeira aproveitando um ressalto aparentemente natural, desembocando mais ou menos a meio para uma cavidade natural), sendo interrompido, sensivelmente ao centro no sulco de baixo por outro sulco que se prolonga até à extremidade do penedo.

A um nível inferior do mesmo penedo parecem restar vestígios de uma espécie de pequeno tanque (já muito destruído, constituindo mera suposição), que serviria de reservatório para aparar o produto da prensagem. No seu acesso encontramos cinco degraus escavados no afloramento (muito desgastados, relativamente às restantes estruturas etnográficas, logo pertencente a uma cronologia francamente anterior a estas.

 


Agradecemos desde já a contribuição dos jovens arqueólogos: Andreia Lourenço (com familiares em Vila Cortês da Serra), João Nunes e Sofia Tereso pela disponibilização do Trabalho de Prospecção Arqueológica na Freguesia de Vila Cortês da Serra realizado no âmbito de Técnicas de Investigação Arqueológica, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

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