Referências Bibliográficas de Vila Cortês da Serra

Portugal Antigo e Moderno
volume XI, de Pinho Leal

Uma das primeiras referências a Vila Cortês da Serra encontra-se em “Portugal antigo e moderno”- volume XI, de Pinho Leal. Aí faz-se menção a sua antiga denominação como Vila Cortez da Estrada, para se distinguir de Vila Cortez do Mondego, pertencente à mesma diocese. Tal nomenclatura deve-se à sua localizado na estrada real de Celorico da Beira para Coimbra, pela ponte de Murcella e Oliveira do Hospital. Faz-se também referência à possível utilização do seu nome actual (Vila Cortez da Serra por se encontrar a pouca distância do pendente NO da Serra da Estrela.

Segundo este autor, a povoação de Vila Cortez, sede desta paróquia, sendo a única que a constituía, visto ser uma povoação compacta, organizava-se de um modo curioso, dividindo-se em diferentes grupos ou bairros: «um pertencente ao termo da extinta villa de Linhares – outro ao termo da extinta villa de Folgosinho – e outro ao termo da villa de Gouveia. Ainda hoje (1884) nesta povoação se distinguem aqueles 3 grupos de casas, bem como os seus habitantes, dizendo-se – estes são do termo de Gouveia – aqueles são do termo de Folgosinho. No termo de Linhares já não se fala». «Esta freguesia é pouco saudável por estar em planície funda no sopé da Serra da Estrela e na margem direita de uma grande ribeira, formada pelas de Melo e do Freixo que fazem junção na grande ponte de pedra da estrada a macadam de Celorico a Coimbra, estrada que toca nesta povoação, do lado sul, e a repara na sua Igreja Matriz correndo de este a oeste». «As ditas ribeiras por ocasião das chuvas e do degelo da grande serra próxima, avolumam dum modo espantoso com a grande quantidade de água que se despenha da serra em torrentes e inundam parte da povoação e da campina marginal, causando por vezes prejuízos consideráveis e comprometendo a salubridade publica».

O autor menciona ainda a Igreja Paroquial, descrevendo como um templo «espaçoso e elegante, muito vantajosamente situado a cavaleiro da estrada a macadam e da população, em sitio relativamente alto, alegre e vistoso.», dizendo ter sido construído nos finais do século XVIII, inícios do século XIX, a mando dos condes de Melo «donatários desta paróquia e que apresentavam o seu prior». Depois de uma curta descrição desta, refere-se a existência, no centro da povoação, da Capela de São Bartolomeu, que havia sido a velha Matriz. Indica em seguida, a localização nesta povoação de um edifício brasonado, antiga pertença da família Mendonças, de Freches, no concelho de Trancoso. Pinho Leal faz também menção a duas pontes de pedra: tuna mesmo, na então povoação Vila Cortez, existindo outra a que já aludimos anteriormente (real estrada a macadam), bem como dois pontoes, também na povoação para serventia do pequeno bairro, denominado de Termo de Folgosinho. Enunciam-se em seguida, na grande ribeira, três moinhos de pão, um lagar de azeite, uma fábrica de fiação de seda e outra de queimar vinho. Refere-se ainda a existência, noutros tempos, de um estabelecimento de tinturaria, que o povo chamava de Tinte, já então sobrando só os grandes casarões e fornalhas em ruínas.

Já no final deste apontamento corográfico, Pinho Leal dá a conhecer a existência no limite desta paróquia de um pequeno mono denominado de Castelejo, que se supõe ter sido «atalaia em tempos remotos – e nele uma cavidade denominada Capela dos Mouros. A estrada a macadam, é referida como sendo a antiga estrada militar, por onde ocorreram as movimentações de tropas «principalmente na guerra peninsular, quando o exército francês, comandado por Massena, retirava das linhas de Torres Vedras, pela ponte da Murcella e Celorico da Beira para Espanha. Ocuparam literalmente esta povoação durante a passagem de todo o exército e aqui tiveram um hospital de sangue na casa dos Sequeiras Corte-Reais, pagando-lhes generosamente incendiando-a, bem como grande parte desta povoação, quando se retiraram.

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Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses
por João de Almeida

João de Almeida, no Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, dá a conhecer Vila Cortês da Serra aludindo ao seu «castelo». Depois do enquadramento geográfico, menciona que no ponto mais alto da povoação, junto da capela de Santo António, ruínas de um castelo medieval e também os vestígios de uma cerca amuralhada, que envolvia a antiga povoação, cuja ocupação é indicada como remotíssima. «São numerosos os vestígios da ocupação romana. Por ela passava a estrada militar que, vinda de Viseu, prosseguia por Azurara, e terminava em Linhares, na qual existem troços de calçada e a ponte sobre a ribeira de Vila Cortês, à saída da povoação, do lado poente, dominada ainda por um lanço de muralha. [...] Desconhece-se em absoluto a historia de Vila Cortês, podendo, no entanto, presumir-se que a sua primeira fortaleza fosse um castro lusitano, que os romanos teriam remodelado, para servir de apoio da sua ocupante e da estrada transversal militar que a servia».

Noutro ponto refere o castro do Castelejo, situando-o no cimo de um pequeno cabeço denominado Castelejo, indicando a cola de 47.5 metros, situado a 2 km a oeste da povoação de Vila Cortês. Diz existirem vagos vestígios de uma construção militar, cuja a natureza não é possível identificar. Conclui, por fim, que é possível que se trate de um antigo castro luso-romano, ou de uma simples torre que serviria de vigia.

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“Breve noticia histórica de Vila Cortês da Serra
Jornal de Gouveia, de 8 de Abril de 1954

No Jornal de Gouveia, de 8 de Abril de 1954, foi ai redigido um artigo intitulado de “Breve notícia histórica de Vila Cortês da Serra”, onde se menciona que não existem grandes vestígios documentais, que atestem a antiguidade da povoação, apesar disso, porém, a quem pacientemente a esquadrinhar, nela encontrará testemunhos da sua provecta idade”. Tal afirmação funda-se no vislumbre, talvez por um curioso local da arqueologia, que para além dos vestígios de construções nas áreas envolventes a Vila Cortês, terá identificado vestígios de tegullae romana, bem como de construção romana, junto do que ainda existia da denominada ponte velha, da velha estrada militar que se prolongava de Coimbra a Celorico. Faz-se também aqui referência no episódio com as tropas de Massena, já acima descrito por Pinho Real, verificando-se mesmo a transcrição deste, aquando da referência a igreja, pelo dito artigo.

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Retirado do Jornal “Casa do Concelho de Gouveia” (a data permanece uma incógnita!)
(clique aqui para ler este artigo na íntegra)

Retirado do jornal “Casa do Concelho de Gouveia” não datado (mas que presumimos ser da mesma época), sem referência ao autor e número de editorial, tivemos acesso ao artigo que se denomina “Vila Cortês da Serra foi Atalaia de Lusitanos”. Este artigo começa por explicitar a tradicional concepção da formação do povoado de Vila Cortês, que remontaria ao século XII “fazendo parte da Honra de Melo, teve por senhorio D. Soeiro Raimundo. E como todos os povos da região, vive os seus destinos ligados aos castelos de Linhares e Celorico. Umas vezes sem dar um passo outras vezes com o sacrifício das vidas, consoante a sorte da guerra ou ânimo dos fida1gos, assim se encontrava ora de cá ora de lá.” Em seguida faz-se o elogio da acção do “general Sr. João de Almeida” que veio alargar “consideravelmente os limites levando-nos quase pelo infinito das idades”, referindo-se à primeira ocupação de Vila Cortês como castro lusitano, citando a obra deste investigador. O artigo esclarece a população local acerca da identificação de vários castros na região por João de Almeida, devendo ser entendidos como “estabelecidos em três linhas:

  1. Melo, Nabais, Paços.
  2. Folgosinho, Bico do Corvo, Farvão, Monte Negrume.
  3. Santiago, Santinha, Alfátema.

Para além desta formidável cintura, ainda Vila Cortês, como a tone de vigia no cabeço do Castelejo.” De seguida o autor tenta reconstituir o hipotético modo de vida dos Lusitanos, baseando-se em Aquilino e Padre Luís Gonzaga de Azevedo, seguindo a obra de Estrabão. Refere também as já mencionadas ruínas de um Castelo medieval e de uma cerca muralhada, bem como a via militar romana. O autor aventura-se numa tentativa de relação entre a via e a torre de vigia. De certa forma o autor sintetiza as referências de Pinho Leal e João de Almeida, tentando levantar novas problemáticas. O autor deste artigo conclui afirmando convictamente que Vila Cortês” sendo um centro de mavioso lirismo, há-de ser uma terra de poetas”...

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“Arqueologia na Serra da Estrela”
de Jorge de Alarcão

O livro de Jorge de Alarcão, “Arqueologia na Serra da Estrela” faz também referência às evidências arqueológicas assinaladas por João de Almeida (vestígios romanos e pré-romanos), considerando-as duvidosas. Assinala ainda o artigo do “Jornal de Gouveia”, onde se menciona o aparecimento de tegullae. Aceita a possibilidade da existência de vestígios romanos na baixa entre a serra e a Mondego “não apenas na área de Vila Cortês, mas nas freguesias vizinhas” também. Menciona o Castelejo, a partir da referência de Almeida, do qual não encontrou vestígios. Acaba a sua síntese sabre Vila Cortês com várias interrogações no que concerne à via romana que se presume entre Valezim e Gouveia: “Mas a via romana ao longo da vertente ocidental da serra, pela meia encosta, continuar-se-ia para nordeste de Gouveia? Passaria par Nabais e Vila Cortês com destino a Celorico? Ou iria de Folgosinho a Linhares e Salgueirais, rumando daí a Celorico? [...] Não temos vestígios de calçada ou milénios que nos esclareçam sabre um eventual percurso entre Gouveia e Celorico.”

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Revista Portuguesa de Arqueologia, no 2 , vol.1 de 1998

Na evista Portuguesa de Arqueologia, n0 2 , vol.1 de 1998, Catarina Tente e Sandra Lourenço dão-nos a conhecer no artigo “Sepulturas Medievais Escavadas na Rocha dos concelhos de Carregal do Sal e Gouveia: estudo comparativo”, três sepulturas deste tipo localizadas na freguesia de Vila Cortês, na Regada Grande (GAUSS: 250.6/ 299.45, fl.202 Carta militar de Portugal, escala 1:25000, alt. 390m). Este conjunto possui três sepulturas antropomórficas escavadas em afloramentos diferentes cujas orientações são:

  • a nº1está para SE;
  • a nº2 está para N;
  • a nº3 está para E.

As duas primeiras têm um comprimento máximo de 1.90 metros e 1.94 metros respectivamente, enquanto que a última tem 1.71 metros.


Agradecemos desde já a contribuição dos jovens arqueólogos: Andreia Lourenço (com familiares em Vila Cortês da Serra), João Nunes e Sofia Tereso pela disponibilização do Trabalho de Prospecção Arqueológica na Freguesia de Vila Cortês da Serra realizado no âmbito de Técnicas de Investigação Arqueológica, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

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