A História do Relógio da Igreja várias gerações depois

A história é, no mínimo, fantástica. Não propriamente a história do relógio, que também é digna de ser lembrada, mas sim como a descobri. Já muitos sabem que as novas tecnologias, em particular a Internet, encurtam distâncias, mas para além disso também aproximam gerações. E gerações bem distantes.

Tudo começou com a troca de um e-mail de alguém que, do outro lado do Atlântico, se interessou pela página de Vila Cortês da Serra e que revelou ter nesta aldeia raízes muito ancestrais. Contou que o seu bisavô, nascido na aldeia de Vila Cortês da Serra no século XIX, tinha emigrado para a "América" (EUA). Foi baptizado na igreja da paróquia e 70 anos depois contribuiu na doação do relógio da igreja desta paróquia.

Troquei algumas informações com familiares meus, que me contaram como o antigo relógio da igreja tinha sido danificado numa noite de forte trovoada. Contaram ainda que uma comissão de conterrâneos a viver no estrangeiro resolveu fazer uma doação de um novo relógio, que esteve durante muitos anos na torre da igreja. Troquei estas informações com o luso-descendente sobre a história do relógio e sobre a sua família. Ficou espantado com todo o relato e prometeu-me uma surpresa. Alguns e-mails depois, e com a colaboração do seu irmão, enviou-me uma reprodução digital de um artigo do antigo "Jornal de Gouveia". Impressionante como a sua família guardou meticulosamente ao longo de todos estes anos os recortes com o artigo da doação do relógio. O artigo pode ser lido na íntegra aqui (uma imagem com aproximadamente 265KB). Pediu-me uma breve tradução para inglês, dado já não falar a nossa língua. Fiquei comovido!

A imagem feita de recortes do antigo Jornal de Gouveia mostra a notícia que data de 8 de Abril de 1954 com a (...) generosa e magnânima contribuição, que tornou possível dotar a nossa querida aldeia com um relógio que honra a indústria nacional e dignifica todos quantos para ele concorreram.

Lá estavam mencionados os colaboradores desta doação, a Comissão de New Bedford, Artur de Aguiar, António A. Rodrigues, Artur Cabral e Fernando da Cunha Paulino, Comissão da Califórnia, Ruy Fernandes, Luís António Marcelo e Eduardo Rodgers que contribuiram com o seu esforço e auxílio para tão importante melhoramento (...) A vossa generosidade juntou-se à da boa gente da nossa terra e todos juntos possibilitaram a instalação do relógio no topo da torre, símbolo da União e Boa Vontade (...) cujo a inauguração se fez na noite de Natal de 1952.

Nascido nos EUA e a viver na Florida, conserva ainda o nome do seu bisavô. Veio passar a sua lua-de-mel à Europa, mais propriamente à Espanha, tendo alterado a sua rota propositadamente para visitar a aldeia de Vila Cortês da Serra, onde conheceu a casa do seu avô. Ficou alojado na companhia da sua esposa na Quinta do Adamastor (creio que também é salutar fazer publicidade ao que o concelho de Gouveia tem de melhor, e como tal, foi esta uma das sugestões) tendo ficado satisfeito pela comodidade e qualidade da gastronomia. Desfrutou ainda da beleza de diversas cidades e prometeu voltar a Portugal.

Após algumas semanas, foi a vez de uma senhora nascida no Brasil perguntar através de e-mail, a história do seu pai também nascido em Vila Cortês da Serra. As gerações mais velhas ficam comovidas e não menos excitadas de verem o passado bem presente e poderem contribuir na divulgação da história. Meses depois, mais precisamente no princípio do Verão, esta senhora estava a visitar a nossa aldeia, tendo sido conduzida até uma antiga casa, onde em tempos tinha sido o berço do seu pai. Ficou emocionada. Promteu também voltar!

Espero poder contar mais histórias como estas! Até breve!

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